LULA ESCOLHEU BOLSONARO COMO ADVERSÁRIO E ANTIPETISMO NÃO PERCEBEU ISSO

Publicado em 27/09/2018 às 00h23

Lula escolheu Bolsonaro como adversário e antipetismo não percebeu isso

      “Lula é um monstro político”. Assim boa parte dos aliados descreve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, os adversários também o consideram assim. O primeiro lado prefere a versão positiva do apelido “monstro”. Já o segundo utiliza de maneira pejorativa. Acontece que, nessa reta final da campanha eleitoral de 2018, Lula se mostrou um maestro que rege a orquestra política mesmo estando preso desde abril. Além de escolher o sucessor na corrida, Fernando Haddad, o ex-presidente pinçou também o adversário: o deputado Jair Bolsonaro (PSL).

       Partindo do pressuposto que Lula é megalomaníaco, algo bem comum na avaliação dos movimentos antilulistas e antipetistas, não é tão absurdo falar que o ex-presidente prefere enfrentar Bolsonaro a qualquer outro candidato que concorre ao Palácio do Planalto em 2018. Tanto que, diante da iminência de Haddad enfrentar o deputado federal do PSL no segundo turno, as “forças progressistas” começaram a dar sinais de que estariam ao lado do petista contra o que eles chamam de “retrocesso” para o país.

       As últimas pesquisas divulgadas apontam que o caminho atual é um enfrentamento entre Bolsonaro e Haddad. É a versão atualizada do antipetismo contra o lulismo, que acontece há pelo menos sete eleições. O deputado do PSL representa aquilo que as forças contrárias ao PT sempre desejaram: é virulento, encampa um discurso contra minorias, reclama que a sociedade está chata e se traveste como algo novo. Dificilmente é tudo o que fala. Parece mais um cão raivoso que, ao ser libertado, vai mostrar que é adestrado.

       Já Haddad é o antagonista perfeito contra aquilo que as “forças progressistas” tratam de ameaça. Tem um perfil mais conciliador, não pertence à ala radical do PT e flerta mais com o liberalismo econômico do que o próprio Lula em 2002 – tanto que adota uma postura mais flexível com temas econômicos do que a direção petista gostaria. O ex-prefeito de São Paulo é uma versão melhorada do “poste” de Lula e, caso enfrente Bolsonaro no segundo turno, deve conseguir abarcar aqueles que são contrários ao “fascismo” que pintam no candidato do PSL.

       Essa dualidade entre Haddad e Bolsonaro como dois lados de uma mesma moeda passou a ser explorada pelos adversários. Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB), que tentam se viabilizar como uma terceira via, foram os primeiros a propagandear que esses extremos não deveriam estar no segundo turno. Até o momento, fraquejaram no argumento.

       Mesmo perder para Bolsonaro é um argumento plausível para a construção narrativa do PT. O Brasil optará por um “período sombrio” em que as liberdades vividas no período em que petistas e tucanos governaram o país farão falta. Assim, haverá espaço para a volta triunfal daqueles que lutaram até o final pela democracia.

       Nesse ponto é importante mostrar que a afirmação de aliados e adversários de que Lula é um monstro político nunca fez tanto sentido. Por isso que, até mesmo quem vota em Bolsonaro, também está imbuído na construção discursiva elaborada pelo ex-presidente. A eleição de 2018 se tornou um beco sem saída. Mérito principalmente de Lula.

       Este texto integra o comentário desta quarta-feira (26) para a RBN Digital, veiculado às 7h e às 12h30, e para as rádios Excelsior, Irecê Líder FM, Clube FM e RB FM.

FONTE: BAHIA NOTÍCIAS

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