ELEIÇÕES: AS ESTRATÉGIAS DOS PRESIDENCIÁVEIS PARA A RETA FINAL DA CAMPANHA

Publicado em 25/09/2018 às 00h20

      Apenas duas semanas separam os brasileiros do 1º turno das eleições de 2018. Para os dias que ainda restam da disputa presidencial, os candidatos estão terminando de calibrar suas diferentes estratégias para tentar uma vaga no provável segundo turno.

       Preso a uma cama de hospital até segunda ordem, Jair Bolsonaro (PSL) lidera as pesquisas e pretende surfar na popularidade já conquistada, enquanto tenta conter declarações polêmicas de pessoas em seu entorno. Em segundo lugar na disputa, Fernando Haddad (PT) planeja continuar viajando a Curitiba (PR) para reforçar sua ligação com seu padrinho político, o ex-presidente Lula, hoje preso na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Paraná.

       No pelotão logo abaixo na intenção de votos, segundo as pesquisas mais recentes, Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB) almejam seguir a tática de discursar contra a polarização entre o petista e o ex-capitão do Exército.

        Tucano e pedetista devem passar mais tempo em São Paulo nas próximas semanas, mas por motivos diferentes: Alckmin precisa reforçar sua votação no Estado onde foi governador por quatro vezes; já Ciro Gomes quer permanecer na cidade que sediará os próximos debates presidenciais na TV. A equipe de Ciro considera que ele tem se saído bem neste tipo de disputa televisiva.

         Em queda livre na preferência do eleitorado, Marina Silva (Rede) assumiu postura mais agressiva contra seus principais concorrentes - principalmente Bolsonaro, o PT e o PSDB. A candidata continuará apostando em eleitores indecisos - principalmente mulheres, e sobretudo as de baixa renda. Nos próximos dias, deve concentrar suas agendas em São Paulo e no Rio. No fim de semana da votação, vai a Rio Branco (AC), onde vota.

        Na última pesquisa do instituto Datafolha, publicada na quinta-feira (20), Jair Bolsonaro aparece isolado no primeiro lugar, com 28% das intenções de voto. Fernando Haddad está em 2º, com 16%. Bolsonaro e o petista cresceram nos últimos três levantamentos do Datafolha: há um mês, em 22 de agosto, Bolsonaro tinha 22% do eleitorado, e Haddad apenas 4%. Neste período, Alckmin manteve os mesmos 9%, e Marina caiu de 16% para os atuais 7%. Ciro Gomes está parado em 13% desde o levantamento de 10 de setembro do Datafolha.

        Diante das curvas ascendentes de Haddad e Bolsonaro, e das tendências de queda ou estagnação dos adversários, é possível afirmar com certeza que apenas o excapitão do Exército e o ex-prefeito petista de São Paulo têm chances de chegar ao segundo turno?

         Para o cientista político e professor do Insper Carlos Melo, não necessariamente. É improvável - mas não impossível - que candidatos como Ciro, Alckmin ou até Marina consigam dar a volta por cima antes de 7 de outubro.

       "Em 2014, mais ou menos nesta época, eu estava na mesa de um evento com um colega, um analista político respeitado, e ele disse que a Marina Silva estava eleita (para o 2º turno com Dilma Rousseff, do PT). Argumentava ele que, em 90% das situações em que um candidato chega a esta altura da campanha com aquela intenção de voto, acaba eleito. E ela, como se sabe, não foi", relembra o professor do Insper e colunista do UOL.

        Em setembro de 2014, Marina Silva (então candidata pelo PSB) dividia a liderança da disputa com Dilma Rousseff (PT). A ex-presidente petista tinha de 40 a 45% do eleitorado, dependendo do cenário, e Marina, de 27 a 31% (Datafolha, 26/09). Aécio Neves (PSDB) estava em terceiro lugar (18 a 21%). Naquele ano, Marina assumiu a cabeça de chapa num momento de comoção pela morte precoce de Eduardo Campos (1965-2014), num acidente aéreo durante a campanha.

        Alvo de pesados ataques petistas e tucanos, Marina já estava em trajetória de queda, enquanto Aécio estava crescendo. O senador mineiro só ultrapassou a líder da Rede no último minuto: a primeira pesquisa na qual ele apareceu à frente de Marina foi a do Ibope, em 4 de outubro de 2014.

      "As eleições brasileiras são sempre muito emocionantes, até o final. Pelo lado lógico, dos números, podemos afirmar que Bolsonaro e Haddad têm as maiores chances de chegar ao segundo turno. Mas a experiência nos obriga a colocar uma interrogação aí no meio", diz Melo.

       Segundo o professor do Insper, candidatos menos cotados realmente acreditam que, na contramão das pesquisas eleitorais, têm chances de ir ao segundo turno. Membros da elite política costumam ser muito autossuficientes e ter uma autoestima acima da média.

      "Eles não insistem nisso (na possibilidade remota de vitória) só porque é a única coisa que podem fazer. Só para cumprir tabela. Dizem isso porque realmente acreditam que podem vencer. E, em alguma medida, podem mesmo", diz ele.

        Nesta reportagem, a BBC News Brasil considerou apenas os candidatos com mais de 1% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, divulgada na última quinta-feira. São eles: Jair Bolsonaro (PSL), Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo).

        Além destes, também estão na disputa os candidatos Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU), Eymael (DC), João Goulart Filho (PPL) e Cabo Daciolo (Patriotas) - mas estes candidatos têm 1% ou 0% das intenções de voto.

        Conheça as estratégias de cada candidato para a reta final da campanha.

FONTE: UOL

 

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